quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Às 3:33

Existe dor mais estranha que dor no coração?
Ainda mais aquela que vem da solidão?
Me sentir mil vezes menor do que sou
E querer o ser
Pra que fisicamente eu seja tão invisível quanto sinto que sou
O tipo de arrepio oposto àquele que vem de brinde com as emoções do primeiro amor.
É o medo de estar sozinho
E os vários quilos de banha abdominal na mesma proporção que a pesada enxaqueca cardíaca

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A little bit of Machadão

" (...) eu via tudo o que passava diante de mim, — flagelos e delícias, — desde essa coisa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura, — nada menos que a quimera da FELICIDADE, — ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão. "

Memórias Póstumas de Brás Cubas

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"Comprar uma fazenda e fazer filhos talvez seja

   uma maneira de ficar para sempre na Terra. Porque discos, arranham e quebram." (Cazuza)
   Às vezes me pergunto: por que é que nascemos? E... o que faz uma parte dos humanos vivos amar esse fato e outra parte odiá-lo; e, de modo triste e arrependido, repetir essa primeira pergunta inúmeras vezes ao longo da vida?
   A gente vive, sobrevive, ocupa a mente, trabalha, estuda, faz o que os outros fazem. Uns aceitam o que lhes é dito, outros tentam descobrir a verdade do universo... Mas no fim, ninguém tem certeza de nada.
   Maravilhoso é admirar as estrelas.. que estão longe e são tão belas quanto inalcançáveis. Bom mesmo é ouvir o som do silêncio. Ficar sozinho pra não se machucar. Imaginar como é o fim do arco-íris. Acreditar no invisível.. afinal, a visão é só uma criação do cérebro humano. Ter sonhos malucos. Não ter medo de sentir dor. Dormir.
   "A gente corre, corre... Mas o bom mesmo é ficar sentado"
   Isso não fez muito sentido. Mas o que faz, nesse mundo?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

"Tudo o que é sólido desmancha no ar" - K. Marx

Trecho de "A cidade e as serras", de Eça de Queiroz.

   Certo dia, enquanto esperavam ser recebidos por Madame d'Oriol, José Fernandes e Jacinto subiram à Basílica do Sacré-Coeur, em construção no alto de Montmartre. Ao se recostarem na borda do terraço, puderam contemplar Paris envolta em uma nuvem cinzenta e fria, motivando profunda reflexões, pois a cidade - tão cheia de vida, de ouro, de riquezas, de cultura e resplandecência, incluindo o soberbo 202, com todas as suas sofisticações - estava agora sucumbida sob as nuvens cinzentas, a cidade não passava de uma ilusão.

   (...) uma ilusão! E a mais marga, porque o homem pensa ter na cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria. Vê, Jacinto! Na Cidade perdeu ele a força e beleza harmoniosa do corpo e se tornou esse ser ressequido e escanifrado ou obeso e afogado em unto de ossos moles como trapos, de nervos trêmulos como arames, com cangalhas, com chinós, com dentauros de chumbo sem sangue, sem febre, sem viço, torto, corcunda - esse ser em que Deus, espantado , mal pôde reconhecer o seu esbelto e rijo e nobre Adão! 

    Na Cidade findou a sua liberdade moral; cada manhã ela lhe impõe uma necessidade, e cada necessidade o arremessa para uma dependência; pobre e subalterno, a sua vida é um constante solicitar, adular, vergar, rastejar, aturar: rico e superior como um Jacinto, a sociedade logo o enreda em tradições, preceitos, etiquetas, cerimônias, prazer, ritos, serviços mais disciplinares que os de um cárcere ou de um quartel... A sua tranqüilidade (bem tão alto que Deus com ele recompensa os santos) onde está, meu Jacinto? Sumida para sempre, nessa batalha desesperada pelo pão ou pela fama, ou pelo poder, ou pelo gozo, ou pela fugidia rodela de ouro! Alegria como a haverá na Cidade para esses milhões de seres que tumultuam na arquejante ocupação de desejar - e que, nunca fartando o desejo, incessantemente padecem de desilusão, desesperança ou derrota? Os sentimentos mais genuinamente humanos logo na cidade se desumanizam! Vê, meu Jacinto! São como luzes que o áspero vento do viver social não deixa arder com serenidade e limpidez; e aqui abala e faz tremer; e além brutamente apaga; e adiante obriga a flamejar com desnaturada violência. 
    As amizades nunca passam de alianças que o interesse, na  hora inquietada da defesa ou na hora sôfrega do assalto, ata apressadamente com um cordel apressado, e que estalam ao menor embate da rivalidade ou do orgulho. E o amor, na Cidade, meu gentil Jacinto? Considera esses vastos armazéns com espelhos; onde a nobre carne de Eva se vende, tarifada ao arrátel, como a de vaca! Contempla esse velho deus do himeneu, que circula trazendo em vez do ondeante facho da paixão a apertada carteira do dote! (...) 
    Mas o que a Cidade mais deteriora no homem é a Inteligência, porque ou lha arregimenta dentro da banalidade ou lha empurra para a extravagância. Nesta densa e pairante camada de idéias e fórmulas que constitui a atmosfera mental das cidades, o homem que a respira, nela envolto, só pensa todos os pensamentos já pensados só exprime todas as expressões já exprimidas; ou então, para se destacar na pardacenta e chata rotina e trepar ao  frágil andaime da gloríola, inventa num gemente esforço, inchando o crânio, uma  novidade disforme que espante e que detenha a multidão. (...) 
    Assim, meu Jacinto, na Cidade, nesta criação tão antinatural onde o solo é de pau e feltro e alcatrão, e o carvão tapa o céu, e agente vive acamada nos prédios com o paninho nas lojas, e a claridade vem pelos canos, e as mentiras se murmuram através de arames - o homem aparece como uma criatura anti-humana, sem beleza, sem força, sem liberdade, sem riso, sem sentimento, e trazendo  em si uma espírito que é passivo como um escravo ou impudente como um histrião... E aqui tem o belo Jacinto o que é a bela Cidade!

   Zé Fernandes continuou a filosofar, acrescentando preocupações de caráter pessoal, indagando a posição dos pequenos que, como vermes, se arrastavam pelo chão, enquanto os poderosos os massacravam; eles iam às óperas aquecidos, lançando aos pobres não mais que algumas migalhas. Religiosamente, acreditava ser necessário um novo Messias que ensinasse às multidões a humildade e a mansidão.

   Só uma estreita e reluzente casta goza na Cidade e os gozos especiais que ele a cria. O resto, a escura, imensa plebe, só nela sofre, e com sofrimento especiais, que só nela existem! (...) A tua Civilização reclama incansavelmente regalos e pompas, que só obterá, nesta amarga desarmonia social, se o capital der ao trabalho, por cada arquejante esforço, uma migalha ratinhada. Irremediável é, pois, que incessantemente a plebe sirva, a plebe pene! A sua esfalfada miséria é a condição do esplendor sereno da Cidade. (...)

   Pensativamente deixou a borda do terraço, como se a presença da Cidade, estendida na planície, fosse escandalosa. E caminhamos devagar, sob a moleza cinzenta da tarde, filosofando - considerando que para esta iniqüidade não havia cura humana, trazida pelo esforço humano. Ah, os Efrains, os Trèves, os vorazes e sombrios tubarões do mar humano, só abandonarão ou afrouxarão a exploração das plebes, se uma influência celeste, por milagre novo, mais alto que os milagres velhos, lhes converter as almas! O burguês triunfa, muito forte, todo endurecido no pecado - e contra ele são impotentes os prantos dos humanitários, os raciocínios dos lógicos, as bombas dos anarquistas. Para amolecer tão duro granito só uma doçura divina. Eis pois a esperança da Terra novamente posta num Messias!...

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Happy B-day!!!

Hoje, 27/09/2012, é aniversário de 28 aninhos da Avril, lindona. Ia falar que ela sobreviveu aos 27, mas não ia fazer sentido isso não acontecer, já que ela, até onde eu sei, nunca se viciou em drogas e álcool como Jimi, Janis, Kurt, Amy e outros que morreram aos 27... Mas enfim! Me bateu uma saudade do show dela do ano passado e deu vontade de postar aqui uma foto tirada por mim mesma, em que ela tá tocando bateria e guitarra ao mesmo tempo, toda contorcida. Haha, eu amo essa foto!



























    Também tem essa, que mostra a tatuagem fofa que ela tem; e o quanto eu fiquei pertinho no show...





Parabéns, Blackstar ♥ volta logo!



Não sou só eu...

http://tristezanuncamais.wordpress.com/2012/08/05/e-o-que-sentir-agora/