sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

"Tudo o que é sólido desmancha no ar" - K. Marx

Trecho de "A cidade e as serras", de Eça de Queiroz.

   Certo dia, enquanto esperavam ser recebidos por Madame d'Oriol, José Fernandes e Jacinto subiram à Basílica do Sacré-Coeur, em construção no alto de Montmartre. Ao se recostarem na borda do terraço, puderam contemplar Paris envolta em uma nuvem cinzenta e fria, motivando profunda reflexões, pois a cidade - tão cheia de vida, de ouro, de riquezas, de cultura e resplandecência, incluindo o soberbo 202, com todas as suas sofisticações - estava agora sucumbida sob as nuvens cinzentas, a cidade não passava de uma ilusão.

   (...) uma ilusão! E a mais marga, porque o homem pensa ter na cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria. Vê, Jacinto! Na Cidade perdeu ele a força e beleza harmoniosa do corpo e se tornou esse ser ressequido e escanifrado ou obeso e afogado em unto de ossos moles como trapos, de nervos trêmulos como arames, com cangalhas, com chinós, com dentauros de chumbo sem sangue, sem febre, sem viço, torto, corcunda - esse ser em que Deus, espantado , mal pôde reconhecer o seu esbelto e rijo e nobre Adão! 

    Na Cidade findou a sua liberdade moral; cada manhã ela lhe impõe uma necessidade, e cada necessidade o arremessa para uma dependência; pobre e subalterno, a sua vida é um constante solicitar, adular, vergar, rastejar, aturar: rico e superior como um Jacinto, a sociedade logo o enreda em tradições, preceitos, etiquetas, cerimônias, prazer, ritos, serviços mais disciplinares que os de um cárcere ou de um quartel... A sua tranqüilidade (bem tão alto que Deus com ele recompensa os santos) onde está, meu Jacinto? Sumida para sempre, nessa batalha desesperada pelo pão ou pela fama, ou pelo poder, ou pelo gozo, ou pela fugidia rodela de ouro! Alegria como a haverá na Cidade para esses milhões de seres que tumultuam na arquejante ocupação de desejar - e que, nunca fartando o desejo, incessantemente padecem de desilusão, desesperança ou derrota? Os sentimentos mais genuinamente humanos logo na cidade se desumanizam! Vê, meu Jacinto! São como luzes que o áspero vento do viver social não deixa arder com serenidade e limpidez; e aqui abala e faz tremer; e além brutamente apaga; e adiante obriga a flamejar com desnaturada violência. 
    As amizades nunca passam de alianças que o interesse, na  hora inquietada da defesa ou na hora sôfrega do assalto, ata apressadamente com um cordel apressado, e que estalam ao menor embate da rivalidade ou do orgulho. E o amor, na Cidade, meu gentil Jacinto? Considera esses vastos armazéns com espelhos; onde a nobre carne de Eva se vende, tarifada ao arrátel, como a de vaca! Contempla esse velho deus do himeneu, que circula trazendo em vez do ondeante facho da paixão a apertada carteira do dote! (...) 
    Mas o que a Cidade mais deteriora no homem é a Inteligência, porque ou lha arregimenta dentro da banalidade ou lha empurra para a extravagância. Nesta densa e pairante camada de idéias e fórmulas que constitui a atmosfera mental das cidades, o homem que a respira, nela envolto, só pensa todos os pensamentos já pensados só exprime todas as expressões já exprimidas; ou então, para se destacar na pardacenta e chata rotina e trepar ao  frágil andaime da gloríola, inventa num gemente esforço, inchando o crânio, uma  novidade disforme que espante e que detenha a multidão. (...) 
    Assim, meu Jacinto, na Cidade, nesta criação tão antinatural onde o solo é de pau e feltro e alcatrão, e o carvão tapa o céu, e agente vive acamada nos prédios com o paninho nas lojas, e a claridade vem pelos canos, e as mentiras se murmuram através de arames - o homem aparece como uma criatura anti-humana, sem beleza, sem força, sem liberdade, sem riso, sem sentimento, e trazendo  em si uma espírito que é passivo como um escravo ou impudente como um histrião... E aqui tem o belo Jacinto o que é a bela Cidade!

   Zé Fernandes continuou a filosofar, acrescentando preocupações de caráter pessoal, indagando a posição dos pequenos que, como vermes, se arrastavam pelo chão, enquanto os poderosos os massacravam; eles iam às óperas aquecidos, lançando aos pobres não mais que algumas migalhas. Religiosamente, acreditava ser necessário um novo Messias que ensinasse às multidões a humildade e a mansidão.

   Só uma estreita e reluzente casta goza na Cidade e os gozos especiais que ele a cria. O resto, a escura, imensa plebe, só nela sofre, e com sofrimento especiais, que só nela existem! (...) A tua Civilização reclama incansavelmente regalos e pompas, que só obterá, nesta amarga desarmonia social, se o capital der ao trabalho, por cada arquejante esforço, uma migalha ratinhada. Irremediável é, pois, que incessantemente a plebe sirva, a plebe pene! A sua esfalfada miséria é a condição do esplendor sereno da Cidade. (...)

   Pensativamente deixou a borda do terraço, como se a presença da Cidade, estendida na planície, fosse escandalosa. E caminhamos devagar, sob a moleza cinzenta da tarde, filosofando - considerando que para esta iniqüidade não havia cura humana, trazida pelo esforço humano. Ah, os Efrains, os Trèves, os vorazes e sombrios tubarões do mar humano, só abandonarão ou afrouxarão a exploração das plebes, se uma influência celeste, por milagre novo, mais alto que os milagres velhos, lhes converter as almas! O burguês triunfa, muito forte, todo endurecido no pecado - e contra ele são impotentes os prantos dos humanitários, os raciocínios dos lógicos, as bombas dos anarquistas. Para amolecer tão duro granito só uma doçura divina. Eis pois a esperança da Terra novamente posta num Messias!...

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Happy B-day!!!

Hoje, 27/09/2012, é aniversário de 28 aninhos da Avril, lindona. Ia falar que ela sobreviveu aos 27, mas não ia fazer sentido isso não acontecer, já que ela, até onde eu sei, nunca se viciou em drogas e álcool como Jimi, Janis, Kurt, Amy e outros que morreram aos 27... Mas enfim! Me bateu uma saudade do show dela do ano passado e deu vontade de postar aqui uma foto tirada por mim mesma, em que ela tá tocando bateria e guitarra ao mesmo tempo, toda contorcida. Haha, eu amo essa foto!



























    Também tem essa, que mostra a tatuagem fofa que ela tem; e o quanto eu fiquei pertinho no show...





Parabéns, Blackstar ♥ volta logo!



Não sou só eu...

http://tristezanuncamais.wordpress.com/2012/08/05/e-o-que-sentir-agora/

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

shame

Vergonha. Não passo disso.
Praticamente não rio e nem choro, o maior sentimento que me abriga é a vergonha.
Vergonha de mim, dos outros, do mundo, dos meus pensamentos, da minha forma, do que sou, do que faço, do que gosto.
E não é só vergonha externa, mas também interna. Principalmente daquilo que não consigo fazer e dos tantos objetivos não-concluídos com que estou acostumada. E, às vezes, não consigo por vergonha.
Cazuza parecia não tê-la e odiá-la. Mas por que? Existe um segredo ou ele nasceu assim?
Queria ser como ele em alguns pontos. Mas só alguns.. Ele amava a multidão, eu acho que amo a solidão. Ou será que só me acostumei assim? Deve ser.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Um pouco de pessimismo; ou realismo. Ou genialidade.


    Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas.
Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas ações, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo. 
   Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.
    
    A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhes, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.
    Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança frequente de seres heterogéneos causa um efeito incómodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com frequência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza. 

    Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou em baixo encontram-se em ótima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como consequência, estes costumam esquivar-se da sociedade, na qual, ao tornar-se numerosa, a vulgaridade domina.
("Quem não ama a solidão, não ama a liberdade")
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

quarta-feira, 16 de maio de 2012

And sometimes it's a sad song...

Vai aí mais um desabafo, de algumas semanas atrás. O melhor de todos até agora. Nada produtivo pra ninguém, além de mim.


    Eu sei que não deveria estar escrevendo aqui esse tipo de coisa, mas é o único meio em que eu posso expressar um pouquinho dos meus sentimentos, permitindo que alguém, qualquer um, possa saber sobre eles. Estou cansada de ser ignorada fisicamente e sentimentalmente, cansada de perder "amigos", cansada de viver do interesse dos outros. Sinto que ninguém mais me procura, ninguém quer saber como estou, ninguém me visita... A maioria só quer saber de vir na minha casa ou no meu condomínio, mas só porque aqui não tem muita luz e as estrelas são lindas. Sinto falta de mensagens, ligações, surpresas. De receber carinho, não apenas dar. Ser cuidada, e não só cuidar. Sou distante das pessoas, do mundo e de tudo o que não é estranho. Gosto de sumir, mas gosto que corram atrás de mim. Quero ser diferente, mas sou covarde. Queria ser louca igual (ou um pouco menos) ao Cazuza, ter sua vontade de viver mesmo se revoltando, se relacionar facilmente com as pessoas mesmo criticando a sociedade, saber dizer "foda-se" e procurar ser feliz. O mundo massacra cada vez mais, as pessoas estão mais distantes e mais conectadas, o que é o grande paradoxo contemporâneo.
    De fato, a sociedade corrompe o homem.
    Eu tenho medo das pessoas e do mundo. Tenho meu ventilador como amigo, mas o frio já tá chegando.





sexta-feira, 4 de maio de 2012

Angústia

"Caminhando de volta pra casa, uma velha angústia vem me tomar o peito dificultando minha respiração. Pensei que fosse só o ar úmido e pesado desse início de outono, desse frio que não é mais frio porque todas as janelas estão fechadas, não deixando o vento da mudança de clima chegar.
Era outra coisa que me incomodava. Sentia que algo único tinha que ser libertado naquela noite de sexta-feira. Foi um lampejo que teve o efeito de um relâmpago. Um estrondo nítido abriu minha cabeça e disse: hoje é dia.
Dia do quê, porra? Será que esqueci alguma data ou alguma coisa? Deixei pra trás o pen drive com algo do trabalho? Então me veio à memória minha mão colocando na mochila meus apetrechos de trabalho, notebook, fonte, mouse, caderno, caneta, lapiseira, bolsinha com o material de higiene bucal, livro, chave de casa e crachá da firma.
Só tinha deixado o trabalho e seguido em direção ao metrô. Deixado o encargo pesado que ele tem me trazido às vezes. Saber disso não aliviava em nada o peso do peito que estava sentindo. Deixava-me mais inconformado, na verdade. Essa ideia me ocorreu enquanto percorria o caminho inteiro, itinerante, sem fim, sem um itinerário definido dentro de mim. Me emputeci e resolvi andar a pé até em casa. Do metrô até em casa. Caminho não muito distante, por sinal muito esquisito, pois não é reto, aliás nenhum caminho é reto aqui na cidade, nem as grandes avenidas, então fazia muitas curvas e passava por quase-becos e ruas, mesmo sendo quase uma avenida.
Que coisa era essa que não passava? Não havia necessidade, nem desejo, nem nada… Talvez só houvesse o desejo de chegar em casa e não dizer mais nada. Não disse. Era um dia contemplativo. Fiquei perto de casa, sentado na calçada tomando cerveja e escutando a conversa dos amigos, vendo o movimento, deixar e estar. Escutar a si mesmo não tendo nada a dizer."

Texto por: Tiago Viegas poeta, escritor, pessoa.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Violões Que Choram

Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
Bocas murmurejantes de lamento.
Noites de além, remotas, que eu recordo,
Noites da solidão, noites remotas
Que nos azuis da Fantasia bordo,
Vou constelando de visões ignotas.
Sutis palpitações a luz da lua,
Anseio dos momentos mais saudosos,
Quando lá choram na deserta rua
As cordas vivas dos violões chorosos.
Quando os sons dos violões vão soluçando,
Quando os sons dos violões nas cordas gemem,
E vão dilacerando e deliciando,
Rasgando as almas que nas sombras tremem.
Harmonias que pungem, que laceram,
Dedos Nervosos e ágeis que percorrem
Cordas e um mundo de dolências geram,
Gemidos, prantos, que no espaço morrem...
E sons soturnos, suspiradas magoas,
Mágoas amargas e melancolias,
No sussurro monótono das águas,
Noturnamente, entre ramagens frias.
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febril agitação de um pulso.
Que esses violões nevoentos e tristonhos
São ilhas de degredo atroz, funéreo,
Para onde vão, fatigadas do sonho
Almas que se abismaram no mistério.
Sons perdidos, nostálgicos, secretos,
Finas, diluídas, vaporosas brumas,
Longo desolamento dos inquietos
Navios a vagar a flor de espumas.
Oh! languidez, languidez infinita,
Nebulosas de sons e de queixumes,
Vibrado coração de ânsia esquisita
E de gritos felinos de ciúmes!
Que encantos acres nos vadios rotos
Quando em toscos violões, por lentas horas,
Vibram, com a graça virgem dos garotos,
Um concerto de lágrimas sonoras!
Quando uma voz, em trêmolos, incerta,
Palpitando no espaço, ondula, ondeia,
E o canto sobe para a flor deserta
Soturna e singular da lua cheia.
Quando as estrelas mágicas florescem,
E no silêncio astral da Imensidade
Por lagos encantados adormecem
As pálidas ninféias da Saudade!
Como me embala toda essa pungência,
Essas lacerações como me embalam,
Como abrem asas brancas de clemência
As harmonias dos Violões que falam!
Que graça ideal, amargamente triste,
Nos lânguidos bordões plangendo passa...
Quanta melancolia de anjo existe
Nas visões melodiosas dessa graça.
Que céu, que inferno, que profundo inferno,
Que ouros, que azuis, que lágrimas, que risos,
Quanto magoado sentimento eterno
Nesses ritmos trêmulos e indecisos...
(...)

Cruz e Sousa

sábado, 21 de abril de 2012

Such a lonely day

Querido diário,
Preciso desabafar uma coisa.
Uma coisa bem babaca, mas que só agora eu percebi.
Percebi que quando meus coleguinhas querem fazer alguma coisa no fim de semana, acaba sendo SEMPRE na minha casa. To cansada pra cacete disso, além de se convidarem, nunca cedem suas casas. Sou sempre eu que combino, invento as coisas, tento agitar e correr atrás, desgasto meu pais. E de tanto isso acontecer, as pessoas já folgaram, se acostumaram, e me fazem achar que é minha obrigação ceder.
Percebi também que preciso conhecer pessoas novas, ter conversas doidas, ser menos ignorada. Ninguém faria nada por mim, então por que eu teria que continuar dando essa importância pras pessoas as quais eu me prendo nos fins de semana?
Fico triste por viver nesse mundo tão cruel. As pessoas são frias e ruins..
Penso que se o amor não existisse, o ódio também não existiria. Assim como a tristeza e a felicidade; o bem e o mal;

domingo, 18 de março de 2012

Maquiagem

Passo lápis pra esconder o choro, pra evitar falsidade, pra não ser chamada de dramática, poupar meus ouvidos, tentar o menos possível dividir minhas tristezas com quem não vai me entender e pra me adaptar a esse mundo de pura maquiagem. Sorrio pra não desperdiçar o sofrimento que foi usar aparelho. Também pra poupar meus ouvidos e tudo aquilo que disse antes. Choro pra exilar sentimentos, não é drama. Sou intensa, escorpiana, insuportável, estranha. Sou mesmo. Nasci sozinha, vivo sozinha e morrerei sozinha.
Depressão, pode entrar. Você já é de casa.



"You came in this world alone" - GN'R

sexta-feira, 9 de março de 2012

Carta à uma poeira cósmica

Querida autora,
Está bem? Anda feliz? Se estiver, saiba que não se mostra assim.
Pois bem. Venho por meio desta lhe informar que você é nada. Na verdade, um pouco mais que isto: uma poeira cósmica, um pedacinho que já fez parte de um astro. Afinal, nada se perde e nada se cria, tudo se transforma.
Já parou para pensar no seu tamanho se comparado ao universo? Aliás, o que de fato é o universo? Uma explosão, é claro... Mas qual foi a causa? Um cientista gigante fazendo experimentos em seu laboratório?
Olha, não me pergunte. Faça isso a um cientista de tamanho e dimensões parecidas com as suas... Quem sabe aquele que explicou a teoria do Big Bang, e que provavelmente só é capaz de explicar algumas coisas sobre o que dispõe de massa e matéria, e não sobre o que existe além disso: o inexplicável, o não-concreto, o não-material, a parte fraca dos fortes... (das poeiras fortes). Mas pode ser que algum dia desses ele tenha conversado com o cientista gigante, criador do universo, e fundido sua velha ideia com a de que não é do nosso alcance entender a complexidade do surgimento de tudo.
E a vida em si, já pensou sobre ela? Por que a Terra se posiciona no lugar perfeito para condições vitais? Apesar de isso ser um conceito bem filosófico, hoje parece que as pessoas vivem obrigatoriamente. Não vivem dia por dia, e deve ser porque foi imposta, pela própria história e formação da humanidade, uma trajetória pela qual se deve passar desde o nascimento até a morte. Dentre algumas concepções criadas é a de lutar para ficar vivo, quando às vezes, seria melhor morrer ou nem ter nascido. O medo do desconhecido é imenso para uma poeira. O que é a morte?
Só sei que nada sei.

Atenciosamente,
(o que é atenção?)
Eu-lírico

terça-feira, 6 de março de 2012

Explica a grande fúria do mundo?

    Tenho uma vontade imensa de ter filhos, mas ainda vou pensar muito bem se convém colocá-los num mundo de sofrimento, angústia, egoísmo, falsidade e desconfiança, com apenas poucas pitadas de amor. Inseri-los em meio a este sistema em que temos que lutar para viver dignamente. Como vou ter coragem de fazer isso com a(s) única(s) pessoa(s) que vou amar de verdade? (Sim, o único amor verdadeiro é o de uma mãe por um filho). Parece um paradoxo. Pensar só por mim e este meu sonho, é egoísmo. Não quero absorver esse mal produto do mundo. Tenho medo de um dia ele sentir como se não quisesse ter nascido, assim como muitas vezes eu faço.
    Algo que eu acho errado é o conceito de infância, em que se esconde, no início da existência de uma pessoa, o que é a vida de verdade. E então, na adolescência, se descobre em míseros cinco anos, como o mundo é. Triste e real. Real e triste.


"Ela se jogou da janela do quinto andar, nada é fácil de entender."



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Miss Moonlight


    Ontem me apaixonei pela lua... Ela tava realmente linda, e com uma estrelinha do lado. Sei lá, eu acho que às vezes podemos comparar qualquer coisa da natureza com uma situação da nossa vida. Um exemplo é esse da Lua: você pode enxergá-la como uma boca sorrindo, pode ver um rosto nela ou simplesmente ver o reflexo do Sol. Quase todos os fatos que acontecem na vida podem ser vistos por cada pessoa com diferentes olhos e cada um conclui do jeito que quiser.
    Podem controlar o que você fala, o que você faz, mas nunca o que você pensa.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

TPM?

Todos me odeiam. Ninguém precisa de mim. Ninguém sente minha falta. Ninguém fica feliz quando me vê. Ninguém-quer-saber-de-mim.
Não aguento mais escola, não aguento mais minha família, não aguento mais ser obrigada a fazer as coisas, não aguento mais ter preguiça, NÃO AGUENTO MAIS SER GORDA, não aguento mais o calor, não aguento mais as pessoas, não aguento mais a sociedade, não aguento mais estudar, não aguento mais a vida.
Quero chocolate, quero sair de casa, QUERO SUMIR, quero dormir, quero sorrir, quero chorar, quero tocar violão, quero música, quero silêncio, quero você, não quero ninguém. Quero morrer.



VSFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF

(Notas de uma - qualquer - mulher na TPM.)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

English Soul


Aquela noite que eu te conheci eu acho que eu nunca vou esquecer
Um momento quase perfeito, inocente em seus defeitos
Mas tudo o que é bom dura pouco, e não acaba sendo
Agora, pra sempre, vou embora mas eu nunca disse adeus...






sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012


    Certo dia eu estava em uma exposição, e encontrei este poema romântico (que me chamou a atenção) em meio a outros. PS: não sei se é obra de um autor famoso, porque não tinha assinatura...


Alimento da Alma

O amor é água ardelosa
E ao degustarmos de tão profícia ilusão
Caímos em pranto ao pungir de tão delicada rosa
Que com sua candura nos traz do mar, imensidão

Amor é virtude que se encontra na prosa
Amor é sonho que causa satisfação
Amor é conquista custosa
Que não alimenta somente o coração

E como não sonhar com o amor
Que de tão duradouro
Semeia a sorte e flor?

Oh alimento santo da dor
Dá ao homem semblante faceiro
E na penumbra da alma, emerge nele o sonhador