quarta-feira, 30 de novembro de 2011

in these many november changes

   Eu amo o mês de novembro. Acho que já disse isso, ou talvez algumas pessoas já saibam. Amo flores, e novembro é o mês central da primavera. Apesar de não gostar muito do calor que começa nessa época do ano, esse mês é sempre um mês que me toca. Novembro de 2011, especialmente, foi um mês diferente. Fiz 15 anos, virei madrinha de crisma, aprendi a tocar a minha primeira música no teclado, tirei minha primeira nota menor que 4 na vida, dormi à tarde pela primeira vez na vida sem estar doente, passei a noite em claro estudando, também pela primeira vez, perdi a primeira pessoa próxima, vi a minha prima do Rio de Janeiro quase todos os finais de semana, cortei radicalmente meu cabelo, entre outras coisas inéditas e, outras ainda, que mudaram um pouco a minha vida... Que eu queria, mas ao mesmo tempo não queria gritar pra todo o mundo. Queria que as coisas da vida fossem um pouco mais simples, pra eu poder fazer isso, mas admito que "escondido é bem melhor, perigoso é divertido" hahaha. 
   É, gostei bastante de algumas tardes de quinta feira deste mês.
   Bye november, hello december.

domingo, 20 de novembro de 2011

Essencial

   Chega uma hora da vida, mais cedo ou mais tarde, em que você atinge um certo estado de consciência.
   Começa a ver as coisas de outro jeito, principalmente as coisas fúteis, pequenas e passageiras, e a perceber que tudo pode ter outro sentido, tudo é incerto.
   Começa a entender alguns porquês, e esse pode ser o início do que se chama de paz interior.
   Teme-se menos a morte, apesar de não entendê-la ainda.
   Percebe como é limitado, e como isso mostra que o ser humano é mínimo. Tão pequeno, que sua inconsciência é maior que a consciência.
   O homem pode resgatar tudo: dinheiro, casa, carro, casamento, 'felicidade', status, respeito, confiança, estado emocional. Só não pode resgatar o bem mais precioso que existe: o tempo.
   Estes seres não creem no invisível, no intocável, muito menos no inexplicável, mas muitos deles afirmam, com toda a intelectualidade poética que caracteriza o desejo de entender as coisas: "o essencial é invisível aos olhos".

sábado, 5 de novembro de 2011

Para reflexão





Futebol? Futebol não se aprende na escola!
No país do futebol o sol nasce para todos 
mas só brilha para poucos
e brilhou pela janela do barraco da favela
onde morava esse garoto chamado Brazuca,
e não tinha nem comida na panela
mas fazia embaixadinha na canela 
e deixava a galera maluca
Era novo e já diziam que era o novo Pelé
que fazia o que queria com a bola no pé
que cobrava falta bem melhor que o Zico e o Maradona
e que driblava bem melhor que o Mané, pois é
E o Brazuca cresceu,
despertando o interesse em empresários
e a inveja nos otários
Inclusive em seu irmão que tem um pôster do Romário no armário,
mas joga bola mal pra caralho
O nome dele é Zé Batalha
e desde pequeno ele trabalha pra ganhar uma migalha
que alimenta sua mãe e seu irmão mais novo
Nenhum dos dois estudou,
porque não existe educação pro povo no país do futebol
(Futebol não se aprende na escola)
É por isso que Brazuca é bom de bola

Brazuca é bom de bola
Brazuca deita e rola
Zé Batalha só trabalha
Zé Batalha só se esfola
Brazuca é bom de bola
Brazuca deita e rola
Zé Batalha só trabalha
Zé Batalha só se esfola

Chega de levar porrada...
A canela tá inchada e o juiz não vê...
Chega dessa marmelada...
A camisa tá suada de tanto correr...
Chega de bola quadrada...
Essa regra tá errada, vamo refazer...
Chega de levar porrada...
A galera tá cansada de perder...

No país do futebol quase tudo vai mal
mas Brazuca é bom de bola, já virou profissional
Campeão estadual, campeão brasileiro
Foi jogar na seleção, conheceu o mundo inteiro
E o mundo inteiro conheceu Brazuca com a 10...
Comandando na meiúca como quem joga sinuca com os pés...
Com calma, com classe, sem errar um passe
O que fez com que seu passe também se valorizasse
E hoje ele é o craque mais bem pago da Europa
Capitão da seleção, tá lá na Copa
Enquanto seu irmão, Zé Batalha
e todo seu povão, a gentalha
da favela de onde veio, só trabalha
suando a camisa jogada pra escanteio
tentando construir uma jogada mais bonita
do que a grama que carrega na marmita
Contundido de tanto apanhar
Confundido com um bandido e impedido
Pode parar!
Sem reclamar pra não levar cartão vermelho
Zé Batalha, sob a mira da metralha, de joelhos
tentando se explicar, com um revólver na nuca:
"eu sou trabalhador, sou irmão do Brazuca"
Ele reza, prende a respiração
e lá na Copa, pênalti a favor da seleção
Bola no lugar, Brazuca vai bater
Dedo no gatilho, Zé Batalha vai morrer
Juiz apitou, tudo como tinha que ser:
Tá lá mais um gol e o Brasil é campeão
Tá lá mais um corpo estendido no chão

O país ficou feliz depois daquele gol
Todo mundo satisfeito, todo mundo se abraçou
Muita gente até chorou com a comemoração
Com orgulho de viver nesse país campeão
E na favela, no dia seguinte, ninguém trabalha
é o dia de enterrar o que sobrou do Zé Batalha
Mas não tem ninguém pra carregar o corpo
nem pra fazer uma oração pelo morto
Tá todo mundo com a bandeira na mão
esperando a seleção no aeroporto

É campeão!
Da hipocrisia, da violência, humilhação...
É campeão!
Da ignorância, do desespero, desnutrição...
É campeão!
Da covardia, e da miséria, corrupção...
É campeão!
Do abandono, da fome, da prostituição

(Brazuca - Gabriel O Pensador)