quarta-feira, 16 de maio de 2012

And sometimes it's a sad song...

Vai aí mais um desabafo, de algumas semanas atrás. O melhor de todos até agora. Nada produtivo pra ninguém, além de mim.


    Eu sei que não deveria estar escrevendo aqui esse tipo de coisa, mas é o único meio em que eu posso expressar um pouquinho dos meus sentimentos, permitindo que alguém, qualquer um, possa saber sobre eles. Estou cansada de ser ignorada fisicamente e sentimentalmente, cansada de perder "amigos", cansada de viver do interesse dos outros. Sinto que ninguém mais me procura, ninguém quer saber como estou, ninguém me visita... A maioria só quer saber de vir na minha casa ou no meu condomínio, mas só porque aqui não tem muita luz e as estrelas são lindas. Sinto falta de mensagens, ligações, surpresas. De receber carinho, não apenas dar. Ser cuidada, e não só cuidar. Sou distante das pessoas, do mundo e de tudo o que não é estranho. Gosto de sumir, mas gosto que corram atrás de mim. Quero ser diferente, mas sou covarde. Queria ser louca igual (ou um pouco menos) ao Cazuza, ter sua vontade de viver mesmo se revoltando, se relacionar facilmente com as pessoas mesmo criticando a sociedade, saber dizer "foda-se" e procurar ser feliz. O mundo massacra cada vez mais, as pessoas estão mais distantes e mais conectadas, o que é o grande paradoxo contemporâneo.
    De fato, a sociedade corrompe o homem.
    Eu tenho medo das pessoas e do mundo. Tenho meu ventilador como amigo, mas o frio já tá chegando.





sexta-feira, 4 de maio de 2012

Angústia

"Caminhando de volta pra casa, uma velha angústia vem me tomar o peito dificultando minha respiração. Pensei que fosse só o ar úmido e pesado desse início de outono, desse frio que não é mais frio porque todas as janelas estão fechadas, não deixando o vento da mudança de clima chegar.
Era outra coisa que me incomodava. Sentia que algo único tinha que ser libertado naquela noite de sexta-feira. Foi um lampejo que teve o efeito de um relâmpago. Um estrondo nítido abriu minha cabeça e disse: hoje é dia.
Dia do quê, porra? Será que esqueci alguma data ou alguma coisa? Deixei pra trás o pen drive com algo do trabalho? Então me veio à memória minha mão colocando na mochila meus apetrechos de trabalho, notebook, fonte, mouse, caderno, caneta, lapiseira, bolsinha com o material de higiene bucal, livro, chave de casa e crachá da firma.
Só tinha deixado o trabalho e seguido em direção ao metrô. Deixado o encargo pesado que ele tem me trazido às vezes. Saber disso não aliviava em nada o peso do peito que estava sentindo. Deixava-me mais inconformado, na verdade. Essa ideia me ocorreu enquanto percorria o caminho inteiro, itinerante, sem fim, sem um itinerário definido dentro de mim. Me emputeci e resolvi andar a pé até em casa. Do metrô até em casa. Caminho não muito distante, por sinal muito esquisito, pois não é reto, aliás nenhum caminho é reto aqui na cidade, nem as grandes avenidas, então fazia muitas curvas e passava por quase-becos e ruas, mesmo sendo quase uma avenida.
Que coisa era essa que não passava? Não havia necessidade, nem desejo, nem nada… Talvez só houvesse o desejo de chegar em casa e não dizer mais nada. Não disse. Era um dia contemplativo. Fiquei perto de casa, sentado na calçada tomando cerveja e escutando a conversa dos amigos, vendo o movimento, deixar e estar. Escutar a si mesmo não tendo nada a dizer."

Texto por: Tiago Viegas poeta, escritor, pessoa.