sexta-feira, 9 de março de 2012

Carta à uma poeira cósmica

Querida autora,
Está bem? Anda feliz? Se estiver, saiba que não se mostra assim.
Pois bem. Venho por meio desta lhe informar que você é nada. Na verdade, um pouco mais que isto: uma poeira cósmica, um pedacinho que já fez parte de um astro. Afinal, nada se perde e nada se cria, tudo se transforma.
Já parou para pensar no seu tamanho se comparado ao universo? Aliás, o que de fato é o universo? Uma explosão, é claro... Mas qual foi a causa? Um cientista gigante fazendo experimentos em seu laboratório?
Olha, não me pergunte. Faça isso a um cientista de tamanho e dimensões parecidas com as suas... Quem sabe aquele que explicou a teoria do Big Bang, e que provavelmente só é capaz de explicar algumas coisas sobre o que dispõe de massa e matéria, e não sobre o que existe além disso: o inexplicável, o não-concreto, o não-material, a parte fraca dos fortes... (das poeiras fortes). Mas pode ser que algum dia desses ele tenha conversado com o cientista gigante, criador do universo, e fundido sua velha ideia com a de que não é do nosso alcance entender a complexidade do surgimento de tudo.
E a vida em si, já pensou sobre ela? Por que a Terra se posiciona no lugar perfeito para condições vitais? Apesar de isso ser um conceito bem filosófico, hoje parece que as pessoas vivem obrigatoriamente. Não vivem dia por dia, e deve ser porque foi imposta, pela própria história e formação da humanidade, uma trajetória pela qual se deve passar desde o nascimento até a morte. Dentre algumas concepções criadas é a de lutar para ficar vivo, quando às vezes, seria melhor morrer ou nem ter nascido. O medo do desconhecido é imenso para uma poeira. O que é a morte?
Só sei que nada sei.

Atenciosamente,
(o que é atenção?)
Eu-lírico

Nenhum comentário:

Postar um comentário